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POLICIAL, UM SERVO DE DEUS

 

            Desde a infância, sempre fui dedicado à igreja e sempre ouvia pessoas dizendo que, quando eu crescesse, seria um pastor ou um missionário. Ao completar dezenove anos de idade, entrei para a Academia de Polícia Militar do Barro Branco (escola de formação de oficiais da Polícia Militar do Estado de São Paulo) e, em minha igreja, percebi que muitos irmãos ficaram decepcionados com minha escolha.

            Podia perceber claramente por alguns comentários a mim dirigidos: “Como é, meu irmão, deixou de ser soldado de Cristo para ser soldado do mundo?” E outros comentários que não convém citar. É certo que muitos membros da igreja ficaram contentes e vinham me parabenizar e apoiar pela carreira escolhida. Porém, durante os anos de estudo na Academia sempre me perguntava se realmente era este o caminho de Deus para a minha vida.

            Hoje, após mais de quinze anos de polícia e consciente do grande campo missionário que Deus nela tem me mostrado, posso afirmar que Deus tem algo de especial para mim nesta profissão. Creio que fui por Ele incumbido para proclamar que O POLICIAL É UM SERVO DE DEUS.

Primeiro, precisamos saber que há uma diferença entre servir a Deus e ser salvo por Deus. A salvação é algo que provém da fé, é dom de Deus, ministrada a nós por Jesus Cristo. “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie”. Efésios, cap 2, v.8-9.

Muitos confundem isso, motivo pelo qual Jesus mesmo explicou que muitos argumentariam que deveriam ser salvos porque cumpriram propósitos divinos. “Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então lhes direi explicitamente: nunca vos conheci.” São Mateus, cap 7, v. 22-23.

Desta maneira, podemos afirmar que ser servo de Deus não significa ser salvo. Da mesma forma, muitos que são salvos por Deus de maneira voluntária, necessitando serem impelidos, como foi o profeta Jonas, o qual precisou descer ao ventre do peixe para aceitar  a missão dada por Deus.                                                                                     

Nabucodonosor, rei da Pérsia, foi chamado de servo de Deus, uma vez que cumpria um propósito divino: “Agora eu entregarei todas estas terras ao poder de Nabucodonosor, rei da Babilônia, meu servo; e também lhe dei os animais do campo para que o sirvam.” Jeremias, cap. 27, v.6. Embora Nabucodonosor não pertencesse ao povo hebreu (povo escolhido por Deus, mediante sua promessa a Abraão) e adorasse outros deuses, e não o Deus de Israel, foi designado por Deus para trazer juízo contra seu povo e demais nações vizinhas de Israel, pois estes se mostravam rebeldes e infiéis a Deus.

Assim como Nabucodonosor foi considerado por Deus seu servo, por cumprir um propósito divino, o policial também tem um propósito divino para cumprir. Na condição de servo de Deus ele cumpre uma das missões mais difíceis para um servo: a de opor-se frente a frente às obras do diabo..

No evangelho de João, cap. 10, v. 10, Jesus afirma que “o ladrão vem somente para roubar, matar e destruir”; porém, Ele se opunha a esta obra, pois veio para dar vida e vida com abundância. Este tem sido o clamor de todos os homens.   

Quem não quer viver muitos anos, com saúde, paz, alegria, etc.? Vivemos, porém, em um mundo onde há uma constante guerra entre o bem e o mal. E, nesta luta entre forças antagônicas, as pessoas tolhidas de sua segurança procuram alguém para socorrê-las. Na hora do desespero, o homem clama a Deus e liga para a polícia.

São constantes as ligações para o telefone 190, onde se vai logo dizendo: “socorro, polícia, tem alguém tentando me roubar, matar pi destruir”. E, neste momento, a sociedade espera, Deus espera, a vítima espera, todos esperam que o policial se oponha a obra do diabo, impedindo que o mal prevaleça.

Passando certo dia por um quartel do Corpo de Bombeiros em São Paulo, li uma frase que deveria estar escrita em todos os quartéis: “SUA CONFIANÇA ESTÁ EM NÓS, A NOSSA EM DEUS.”

Em várias ocasiões, coloquei minha vida em risco para socorrer alguém que estava em perigo. O simples fato de um policial se deslocar em velocidade acima do normal para uma ocorrência, já coloca sua vida em perigo. Nestas situações, o policial age motivado por um amor e por um sentimento de compaixão que muitas vezes ele não sabe de onde vem. E é Deus dizendo a ele: “Você é meu servo”.

Fico emocionado quando leio os jornais e vejo policiais dando sua vida para salvar a de outros. Vejo cumprindo neles o mandamento de Jesus: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”.

Nos momentos  de risco, o policial se esquece de seus filhos, de sua família, do quanto ganha, e sente-se feliz por ter-se colocado em risco para salvar a vida de alguém a quem ele não conhece e, talvez, nunca vá conhecer ou ao menos agradecê-lo pelo ato praticado.

Infelizmente, muitos policiais, por não conhecerem o mundo espiritual, ignoram que um dia Deus os irá julgar por todos os seus atos. Em seu desconhecimento de Deus, descumprem o juramento que fizeram perante o altar da pátria, aliando-se às forças do mal, passando a ser mais um motivo de insegurança para a sociedade. Muitos, porém, têm honrado o juramento que fizeram.

Enquanto escrevia este livro, perdemos em nosso batalhão um valoroso soldado. Refiro-me a Donato, que era motorista do tenente comandante do policiamento. Por volta as 11:00 horas do dia 29 de julho de 1998, foi transmitido à rede-rádio, para todas as viaturas, que estava ocorrendo um assalto no Banco do Brasil, no interior do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) em São José dos Campos.

Donato e o tenente Mafuz estavam a menos de dois quilômetros do local do assalto, e seguiram para lá. Chegando à portaria do INPE, foram recebidos a bala. Iniciou-se a troca de tiros naquela portaria, porém, uma perua Hyundai passou rapidamente pelo local e, de seu interior, os assaltantes efetuaram uma rajada de metralhadora que feriu mortalmente Donato, o qual morreu no mesmo local, e atingiu o tenente Mafuz, na perna esquerda.

No dia seguinte ao sepultamento de Donato, recebemos em nosso batalhão um telefonema de uma advogada, que queria saber se o soldado Donato, cuja morte havia sido noticiada nos jornais, tratava-se de Donato Gomes Barbosa. Informamos que sim, e a referida advogada lamentou profundamente.

Informou-nos, então, que Donato havia sido incluído no testamento de um de seus clientes, e a mesma queria dar a notícia a Donato, pois seu cliente falecera. Perguntamos o motivo de Donato ter sido incluído no testamento de seu “falecido cliente”, e ela nos informou que certa ocasião seu cliente estava tendo convulsão, e seus parentes chamaram uma viatura da polícia para que o socorresse.

Um dos componentes da guarnição da viatura que para lá foi encaminhada era o soldado Donato. Ao lá chegar, percebeu que aquele senhor estava sendo asfixiado por seu próprio vômito, e informou a família que era necessário fazer ventilação boca-a-boca, senão ele morreria. No entanto, nenhum dos parentes daquele senhor se prontificou a prestar tal socorro, pois ficaram com nojo do vômito. Assim, o próprio Donato iniciou prontamente a ventilação, salvando a vida daquele homem. Donato pe um exemplo de um soldado servo de Deus. Ele cumpriu o mandamento de Jesus, “Amarás o próximo como a ti mesmo”.

Transcrevo, a seguir, a carta enviada pelo Sr. Luiz Fernando Canineo, a qual foi publicada no jornal Vale Paraibano de 1º de agosto de 1998.

 

“NOSSOS HERÓIS”

 

“Nós não precisamos procurar nos livros de história para encontrar nossos heróis. Eles estão entre nós. Cruzam conosco pelas  ruas, em seus trajes cinzas, às vezes à pé, outras vezes em viaturas.

Nós nem sabemos os seus nomes. Em seus uniformes eles se parecem tanto e só percebemos a importância deles quando os chamamos em nossas aflições. Nesses momentos, a ansiedade sempre nos faz parecer interminável a espera por sua chegada.

Em suas vigílias, velam por nosso sono. Com seus revólveres enfrentam submetralhadoras. Sua paga não é o soldo; como o poderia ser, se tão pouco?

O que os motiva é o altruísmo, é a vocação de servir, é a abnegação; sentimentos cultivados nas mais nobres das profissões: a dos soldados. Nem mesmo sabemos os seus nomes, até que sacrificam suas vidas no cumprimento do dever. Aí sabemos chamarem-se Donato.

Donato é o nome dos heróis de hoje, que tombam em defesa da lei; em nossa defesa.

Seus assassinos, provavelmente, terá a atenção daqueles que distorcem os direitos humanos, mas que não terão tempo para a viúva e a pequena órfã do herói.

Dois assaltantes mortos e um policial.

A proporção nos é dramaticamente desfavorável. Cem deles não valeriam a vida deste. Donato é o orgulho da instituição a qual soube honrar e da sociedade pela qual lhe deu a vida”.

 

Quero novamente frisar que ser um servo de Deus não significa ser “salvo”. Porém, declaro-lhe que, se você tem procurado servir a Deus e ser justo, o Senhor está lhe procurando e querendo salvar. A Bíblia afirma: “Clamam os justos, e o Senhor os escuto e os livra de todas as suas tribulações. Perto está o Senhor dos que têm o coração quebrantado e salva os de espírito oprimido”. Salmos 34, v.17 e 18.  Assim ocorreu com o oficial romano Cornélio.

Ele era um centurião romano da corte italiana. A história relatada no livro de Atos dos Apóstolos, cap. 10. ele era um homem “piedoso e temente a Deus com toda a sua casa, o qual fazia muitas esmolas ao povo, e de contínuo orava a Deus”. Deus manda um anjo e dá instrução a ele para mandar chamar o Apóstolo Pedro. Ao mesmo tempo fala com Pedro, para que não recuse o convite e vá até a casa de Cornélio. Lá chegando, Pedro indaga de Cornélio o motivo por tê-lo chamado.

Esta é a narrativa bíblica: “Por isso, uma vez chamado, vim sem vacilar. Pergunto, pois: Por que razão me mandastes chamar? Respondeu-lhe Cornélio: Faz hoje, quatro dias que por volta desta hora, estava eu observando em minha casa a hora nona de oração, e eu que se apresentou diante de mim um varão de vestes resplandecentes e disse: Cornélio, a tua oração foi ouvida, e as tuas esmolas, lembradas na presença de Deus. Manda, pois, alguém a Jope a chamar Simão, por sobrenome Pedro; acha-se este hospedado em casa de Simão, curtidor, à beira – mar. Portanto, sem demora, mandei chamar-te, e fizeste bem em vir. Agora, pois, estamos todos aqui, na presença de Deus, prontos para ouvir tudo o que te foi ordenado da parte do Senhor”. Atos dos Apóstolos, cap. 10, v. 29-33.

Se você quer ter um encontro com Deus, faça agora como fez Cornélio. Levante suas mãos, renda-se a Deus e peça que Ele lhe encha com sua salvação.   

           

 

 

Cap PM Custódio Alves Barreto –Autor do Livro “Policial, um servo de Deus.”

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